Prof. Nelson Mazur
Nelson Mazur (1955-2022) foi criado na cidade até início da sua graduação, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Porém, suas primeiras lembranças da UFRRJ foram de seu pai conversando com um primo formado nas primeiras turmas de Veterinária. Naquela época, a Escola Nacional de Agronomia e Veterinária (ENA) já era reconhecida por sua excelência e o único curso de Veterinária e Agronomia do estado do Rio de Janeiro. Mazur, como era mais conhecido, chegou a conhecer algumas camisas confeccionadas com seda “made in Rural” e se encantou com o campus e a vida mais simples deste lugar. Desta primeira visita se lembraria dos gramados e dos Leões do P1. Foi ali que tudo começou.
Foi apresentado a várias profissões no seu segundo grau e o que lhe marcou foram os computadores (de cartão perfurado) e a permanente ideia de não mais viver numa cidade grande. Subestimou o que ocorreria com o tamanho, mobilidade e intercomunicação dos computadores. Mas eles retornariam a sua vida. E foi essa ideia que norteou como sua primeira opção no vestibular em Engenharia Agronômica e como segunda Engenharia Florestal.
No início da graduação, tinha grande facilidade nas matérias básicas (química, física e cálculo…). O professor Renato Álvaro Mendonça Nascimento foi personalidade marcante em sua carreira, e se tornou grande amigo. Futuramente, Mazur seguiu os seus passos e juntos ministraram a disciplina de Fundamentos da Ciência do Solo; na qual atuou por toda a sua carreira na Rural.
Em dezembro de 1977, com 22 anos, foi convidado pelo Prof. Braun, então Diretor do Instituto de Agronomia, a integrar os quadros do Departamento de Solos, Instituto de Agronomia, e a iniciar o Curso de Pós-Graduação no Mestrado. Assumiu as aulas práticas de Fertilidade do Solo e, simultaneamente começou a cursar as disciplinas regulares do Mestrado.
Após a defesa do Mestrado, em tema pioneiro – avaliação de potencial de uso e riscos do que seria depois chamado de Composto de Resíduos Urbanos, passou a atuar nas turmas regulares de graduação (antigo IA305 – Fundamentos da Ciência do Solo) e turmas eventuais (IA302 Morfologia e Física do Solo). A partir de 1981, na administração, foi Coordenador das Atividades na Área de Agronomia junto ao Campus Avançado do Amapá; Subchefe do Departamento de Solos. Na pesquisa, atuou no que foi, provavelmente, o primeiro projeto do Solos como Departamento: Vinhaça.
Em 1983, foi consultado sobre a possibilidade de gerenciamento de uma fazenda de café na Utinga, Chapada Diamantina, Bahia (hoje município de Bonito-BA). Pediu licença sem vencimentos do Departamento. Foi!!
No seu Doutorado, na Universidade Federal de Viçosa (UFV), como projeto de tese, renasceu o tema do Mestrado, Composto de Resíduos Urbanos. Só que desta vez com conotação bem mais atual e interessante: presença de metais pesados no composto. Esta nova abordagem permitiu que aprendesse novas técnicas analíticas e abriria espaço para o que viria a ser sua principal área de atuação. Em 1997, doutor em Agronomia – Solos e Nutrição de Plantas, pela UFV, passou a atuar no Curso de Pós-graduação em Agronomia – Ciência do Solo. Como presente de retorno do Doutorado: Chefia 1998-2002. Aprendeu a conciliar colegas e a reformar telhados.
Anos mais tarde, fruto da dedicação ao trabalho acadêmico tornou-se Professor Titular da UFRRJ, atuando na área de Agronomia, com ênfase em Química do Solo, nos temas: lodo de esgoto, contaminação, metais pesados, agroquímicos e composto.
Em seu memorial escreveu: “…importante, estar em plena forma física e mental para o caminho que ainda tenho até os 70 (75?) anos quando completarei 49 anos de Departamento de Solos, 47 como professor da Casa.” Seu falecimento em 2022, com 67 anos de idade e 44 anos de dedicação à Universidade, não permitiu que esses planos se tornassem realidade. Ainda assim, teve inestimável participação na vida acadêmica, administrativa e social do Departamento Solos e da comunidade da Rural.
Com carinho, sua família agradece esta homenagem, de seus muitos amigos no Departamento de Solos.